O Habitar é um banco de dados que sistematiza e avalia o conhecimento relativo a materiais, técnicas, processos e sistemas construtivos que foram desenvolvidos especificamente para o emprego em moradias de interesse social. Este arquivo está sendo disponibilizado via Internet (www.arquitetura.ufmg.br/habitar) como um suporte técnico às iniciativas públicas e privadas que visem à implementação de moradias populares.

O projeto é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais - FAPEMIG.

Introdução

Durante as décadas de 70 e 80, seja sob os auspícios do extinto BNH ou por iniciativa do setor privado, desenvolveram-se, no país, inúmeras pesquisas em materiais, técnicas e sistemas construtivos aplicáveis à habitação de baixo custo. Algumas dessas pesquisas chegaram ao nível de construção de protótipos, nos quais foram alojadas famílias em caráter permanente, como é o caso do "campus" de Narandiba, em Salvador, Bahia. Entretanto, tais estudos e experimentos não estão registrados de forma sistematizada e acessível a consultas. Não existem também trabalhos sistemáticos de avaliação pós-ocupação dos protótipos ou avaliação de desempenho em uso dos materiais, técnicas e sistemas construtivos gerados e empregados nas edificações habitacionais de interesse social. Com a extinção do BNH esse quadro de desinformação se agravou pois, à época do Banco, ainda se tinha uma referência de localização geográfica do conhecimento acumulado em tecnologia de habitação de baixo custo. Em Minas Gerais, a dispersão desse acervo foi ainda maior, uma vez que o CETEC, órgão que liderava no estado esse ramo de pesquisa, desativou o seu Setor de Tecnologia de Construções em 89. Com isso, inúmeros relatórios técnicos se perderam ou não foram concluídos. Hoje em dia, só uns poucos técnicos sabem localizar as fontes do conhecimento já acumulado em tecnologia da habitação em nosso estado. Muitos deles são memórias vivas da parte documental que se perdeu.

Além das pesquisas desenvolvidas no setor público, existem também várias iniciativas do setor privado que estão dispersas e cujo conteúdo pode se perder na medida em que, desativada a construção maciça de habitações populares, tais empresas mudaram de rumos e de interesses. Tudo isso é extremamente contraditório e constrangedor num momento em que o número de "sem casas" é crescente e que a sociedade vai adquirindo consciência de que é preciso erradicar a miséria e propiciar abrigo aos sem teto. A retomada da discussão do problema habitacional é um fato. A escalada de ocupação de viadutos, pontes e marquises urbanas para moradia é um indicativo de que a questão da moradia de interesse social tem que voltar a ser prioridade de qualquer governo, em todos os seus níveis. É preciso, pois, resgatar a informação sobre a tecnologia já disponível para a habitação de baixo custo, para que não fiquemos a arrombar portas abertas, desperdiçando tempo e dinheiro. Com o auxílio da computação gráfica pode ser montado um banco de dados ilustrado e de fácil acesso aos interessados na questão de habitação de baixo custo: o poder público, as associações comunitárias e alguns segmentos do setor de construção civil. Esse banco de dados poderá ser conectado à Internet, para acesso remoto, ou acessado convencionalmente, através de consultas ao Balcão de Opções Tecnológicas da Escola de Arquitetura da UFMG.

 

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