IPHAN promove artigos sobre Aleijadinho

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Naciona abriu espaço para divulgação de sete artigos sobre Aleijadinho e o Barroco em seu site. Confira-os nos links abaixo:

 

Artigo - A Terra Mais Perto do Céu
 
14/11/2014
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Por Luiz Philippe Peres Torelly, Diretor do Departamento de Articulação e Fomento (DAF/Iphan)

Havia um tempo em que a terra era mais perto do céu. E havia um homem que sonhava com esse céu, com suas imagens, com seus anjos e santos, em um permanente transe artístico, místico e religioso. Esse homem era Antonio Francisco Lisboa, conhecido como "Aleijadinho", filho de um arquiteto e mestre de obras portugues, Manoel Francisco Lisboa, e uma escrava de nome Isabel. Considerado por muitos, entre eles Germain Bazin – restaurador chefe do Louvre, biográfo do nosso artista e autor de obras de referência sobre o barroco brasileiro, como "Arquitetura Religiosa Barroca no Brasil" – como o maior artista das Américas no período colonial - revolucionou os canônes do barroco/rococó e produziu extensa obra de arquitetura e imaginária. No próximo dia 18 de novembro será celebrado seu bi-centenário de morte, com atividades em várias cidades brasileiras, especialmente em Ouro Preto.

Confira [aqui] o artigo na íntegra.

 

 

 

 

Artigo - O Aleijadinho
 
14/11/2014
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Por John Bury

Em 1867, quando Sir Richard Burton visitou a cidade setecentista de São João del Rei, fundada durante o ciclo do ouro no montanhoso interior do Brasil, sua atenção foi despertada pela igreja de São Francisco de Assis. Quando lhe disseram que aquela fachada toda ornamentada com esculturas era “trabalho manual de um homem sem mãos, conhecido como o Aleijadinho”, Burton ficou curioso e procurou mais informações. Ficou sabendo então que o Aleijadinho trabalhava “com instrumentos ajustados por um assistente aos tocos que representavam seus braços”. Esse bom cavalheiro da era vitoriana, viajado e de muitas leituras, não ficou entretanto demasiado surpreso, pois conhecia um precedente similar. “Seu caso”, escreveu então, “não é o único registro conhecido de uma surpreendente atividade exercida por homem ou mulher deficiente. Lembremo-nos da falecida Miss Biffin”. Possivelmente, Burton recordava-se ainda do noticiário por ocasião
dos funerais de Sarah Biffin, falecida em 1850. Nascida em 1784, sem pés nem mãos, aprendera a pintar apesar de sua deficiência, chegando mesmo a receber a medalha da Society of Arts, em 1821, assim como o patrocínio da Família Real Inglesa.

Para ler o artigo na íntegra, acesse [aqui]

 

 

 

Artigo - Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho
 
14/11/2014
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Por John Bury

Na catedral de Cuzco, no Peru, há uma série de pinturas do século XVII que representam os meses do ano. São insólitas para o período em que foram feitas, porque seu tema não é religioso, e em conseqüência têm atraído bastante atenção. A opinião dos peritos lhes atribuía, sem hesitar, uma origem flamenga que se confirmava pelo tratamento da paisagem e pelos característicos azuis e verdes utilizados, até ser descoberta há pouco tempo uma assinatura: “Ttito Quispe, 1631”. No convento dominicano de Cuzco volta a aparecer a mesma assinatura numa pintura de estilo bastante italianizado. Vemos, portanto, que o artista índio atingiu seu objetivo, o de que seu trabalho não se distinguisse da produção européia do período, fato que abre uma fascinante perspectiva da psicologia nativa do Peru colonial de trezentos anos atrás.

Veja [aqui] o artigo na íntegra.

 

 

 

 

 

Artigo - O Aleijadinho e o Iphan de Rodrigo Ferreira Bretas a Rodrigo Melo Franco de Andrade
 
14/11/2014
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Por Myriam Andrade Ribeiro de Oliveira, Membro do IHGB e do Conselho Consultivo do IPHAN

Em 1858, quarenta e quatro anos após a morte do Aleijadinho cujo bicentenário se comemora no presente ano, o advogado e professor Rodrigo José Ferreira Bretas escreveu sua biografia baseado em documentação escrita e depoimentos orais, recolhidos em Ouro Preto e outras cidades históricas da região mineira. Publicado no Correio Official de Minas nas edições de 19 e 23 de agosto, o artigo tinha título extenso e preciso, ao gosto da época: “Traços biographicos relativos ao finado Antonio Francisco Lisboa, distincto escultor mineiro, mais conhecido pelo appellido de – Aleijadinho”.

Acesse [aqui] a íntegra do artigo.

 

 

 

Artigo - Uma vida e muitas polêmicas
 
14/11/2014
madia

Por Madia do Prado Pereira

A vida e a obra de Antônio Francisco Lisboa, O Aleijadinho, estão repletas de controvérsias, mesmo sendo ele um dos personagens da História do Brasil mais biografados. A primeira biografia do artista, denominada Traços biográficos relativos ao finado Antônio Francisco Lisboa, foi escrita em 1858 por Rodrigo José Ferreira Brêtas e os escritos publicados em forma de capítulos no jornal “Correio Oficial de Ouro Preto”. Bretas redigiu esta biografia 44 anos após a morte do artista, e muitas das informações ali contidas foram retiradas de arquivos ainda intactos à época. As informações também foram obtidas em entrevistas com pessoas que conheceram o artista, dentre elas sua nora, a parteira Joana Lopes, “Que dele tratou caridosamente até o seu falecimento, o qual teve lugar dois anos depois de seus últimos trabalhos de inspeção na Capela do Carmo, a 18 de novembro de 1814”. Ainda hoje a biografia de Rodrigo Brêtas é considerada fundamental para o estudo de Aleijadinho.

Acesse [aqui] a íntegra do artigo. 

 

 

 

 

Artigo - Cotidiano e contexto cultural nos passos de Aleijadinho
 
14/11/2014
angelooswaldo

Por Ângelo Oswaldo de Araújo Santos

A data de nascimento Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, tem disso tema de controvérsia historiográfica, sendo adotado, pela maioria dos autores, o ano de 1738, à vista de o registro de seu sepultamento, em 18 de novembro de 1814, indicar-lhe a idade de 76 anos. Tendo vivido entre o apogeu da exploração aurífera nas Minas Gerais e o esgotamento dos grandes aluviões, o artista participa do fausto e da decadência da primeira civilização urbana do Brasil, à qual oferece, como legenda, o fulgor de seu talento singular. É ele fruto de um processo socioeconômico e cultural que, como seu fenômeno existencial, parte da glória para penoso declínio, do prazer da fortuna para a angústia da perda, mas também da sujeição para a busca da liberdade, da condição colonial para a independência.

Veja a íntegra do artigo [aqui]

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Artigo - Brasil - arquitetura religiosa barroca
 
14/11/2014
augustoteles

Por Augusto C. da Silva Teles

O início efetivo da colonização do Brasil pelos portugueses ocorreu a partir de meados do século 16, com as capitanias hereditárias e a criação do governo geral. A arquitetura aqui realizada nos séculos 16 e 17 foi fundamentalmente uma transposição do que se fazia em Portugal na mesma época, apenas com adaptações e simplificações que foram sendo praticadas em decorrência dos condicionamento econômicos, tecnológicos e de programas. Período não mais renascentista, ainda não barroco, mas de uma fase de transição: o maneirismo. Entretanto, dado o empobrecimento ocorrido na época em Portugal e consequentemente no Brasil, a arquitetura maneirista luso-brasileira, embora robusta, apresentava-se despojada, e tem sido chamada de uma arquitetura chã, simplificada.

Acesse a íntegra [aqui]

 Fonte: http://portal.iphan.gov.br/portal/montarPaginaInicial.do e http://defender.org.br/artigos/serie-de-artigos-sobre-aleijadinho-por-iphan/

Começa ano de homengens ao bicentenário de Aleijadinho

Começa sábado programação do Ano do Barroco que reverencia obras de Aleijadinho

Novidade é o lançamento de aplicativo que permitirá visualização de parte do rico acervo barroco

 

Gustavo Werneck

 

Publicação: 30/10/2014 06:00 Atualização: 30/10/2014 07:23

 

   
 
Todas as homenagens ao patrono das artes no Brasil e estrela máxima do mês que começa sábado. A vida e a obra de Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (1737-1814), serão reverenciadas no estado, em grande estilo, com encontros culturais, palestras, exposições, lançamento de livros, peças teatrais, mostra de documentário e outras atividades (veja quadro), que integram o Ano do Barroco e lembram os 200 anos da morte do “mestre do barroco”. O ponto alto será 18 de novembro e até lá diversas instituições, como museus, escolas e prédios públicos, terão recebido o retrato oficial de Aleijadinho, um cartaz resultante da parceria entre o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha-MG), Ministério Público (MPMG), via Coordenadoria das Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico (CPPC) e Imprensa Oficial.

Em Congonhas, na Região Central de Minas, moderna tecnologia se une ao passado para mostrar ao mundo o trabalho do escultor, entalhador e arquiteto mineiro, enquanto na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) haverá o 9º Colóquio Luso-brasileiro de História da Arte para abordar as linguagens da obra de Aleijadinho. Com tiragem de 3 mil exemplares e formato A3 (29,7cm por 42cm), o cartaz com a pintura de Aleijadinho “representa a conjunção de mineiridade, história e cultura”, afirma o diretor-geral da Imprensa Oficial, Eugênio Ferraz. O lançamento da peça será dia 13, às 19h, na sede da Imprensa Oficial, na Avenida Augusto de Lima, no Centro de BH. Ferraz adianta que haverá outras atrações na casa para lembrar a trajetória do artista natural de Ouro Preto.

A imagem do cartaz é o retrato oficial exposto no Museu Mineiro, na Avenida João Pinheiro, em Belo Horizonte – trata-se de óleo sobre pergaminho feito no século 19 por Euclásio Penna Ventura. O quadro, na verdade um ex-voto, medindo 20cm por 30cm, pertenceu à Casa dos Milagres, de Congonhas, mostra um homem mulato bem vestido. Foi vendido em 1916 a um comerciante de Congonhas, Senhor Baerlein, proprietário da Relojoaria da Bolsa do Rio de Janeiro. A alegação de que se tratava do rosto do mestre do barroco se baseou na imagem representada ao fundo da pintura, em segundo plano, que parecia idêntica a uma obra de autoria do artista.
 
A trajetória da pintura até o museu foi longa e, segundo as pesquisas, “não se sabe quando Baerlein vendeu o quadro a Bastos Dias, também do Rio de Janeiro. Esse, por sua vez, o transferiu para o Antiquário Esslinger, da mesma cidade, quando foi comprado pelo colecionador carioca Guilherme Guinle”. Na época, a pintura já estava acrescida de nova informação, dada pelo citado antiquário: seria provavelmente de autoria do Mestre Manuel da Costa Ataíde. Por intermédio do mineiro Nelson Libânio, Guinle o doou, em março de 1941, como Retrato de Aleijadinho, ao Arquivo Público Mineiro, instituição estadual na época responsável pela guarda do patrimônio histórico, artístico e cultural de Minas Gerais, até a instalação do Museu Mineiro. No quadro do Museu Mineiro, Aleijadinho está com as mãos escondidas sob o casaco e traz um caderno de anotações em vermelho no bolso.

DEBATES 

O colóquio da UFMG será na Escola de Arquitetura, de domingo a quarta-feira, juntando conferências e debates sobre pesquisas em arte e arquitetura dos séculos 16 a 19, vinculadas a culturas construídas de forma interligada em Brasil e Portugal. Nesse contexto, Aleijadinho ganhará um dia inteiro dedicado à sua obra. O objetivo é valorizar a importância do artista no barroco internacional, mediante análise crítica das diversas linguagens de sua produção, informa o coordenador do encontro, professor André Dornelles Dangelo.

O barroco aos olhos do mundo

Para marcar o bicentenário da morte de Aleijadinho, Congonhas se torna a primeira cidade brasileira com bens reconhecidos pela Unesco a ser beneficiada pelo projeto Era Virtual – Cidades Patrimônio, parceria da prefeitura local, Unesco e Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A partir do dia 17, o internauta poderá fazer uma visita virtual ao conjunto do Santuário de Bom Jesus de Matosinhos e aos núcleos que compõem o circuito de peregrinação. “Em qualquer lugar do planeta, via tecnologia, será possível ter uma perspectiva diferenciada do acervo, por meio de imagens imersivas em 360 graus, aéreas e em solo”, diz o presidente da Fundação Municipal de Cultura, Lazer e Turismo (Fumcult), Sérgio Rodrigo Reis. A iniciativa tem patrocínio da Fundação Vale.

Reis explica que os detalhes das obras de arte e arquitetura, incluindo os 12 profetas esculpidos por Aleijadinho, e os interiores da Basílica do Senhor Bom Jesus e das capelas dos Passos da Paixão, “completam a experiência nessa viagem histórica”. A visita será acompanhada de um breve histórico do sítio tombado, além de um audioguia em cinco idiomas (português, inglês, francês, espanhol e Libras – língua brasileira de sinais). Terá como trilha sonora a obra do compositor Lobo de Mesquita (1746-1805) interpretada pelo Coral Cidade dos Profetas de Congonhas.

Outra novidade a ser lançada no mesmo dia é um aplicativo para smartfones e tablets, cujo objetivo será, segundo a produtora do Era Virtual, Carla Sandim, divulgar e promover a cidade, com material dirigido aos internautas e visitante presencial.

A visita virtual será pelo portal www.eravirtual.org e, ao se preparar para uma visita presencial ao santuário, o interessado poderá baixar o aplicativo gratuitamente. “O Era Virtual – Cidades Patrimônio” visa a divulgar Congonhas, inicialmente na tela do equipamento e, posteriormente, munir o visitante de uma ferramenta que o guie pelo núcleo tombado durante uma visita presencial”, afirma Rodrigo Coelho, coordenador do projeto. O presidente da Fumcult adianta que, de forma inédita no país, a cidade dos profetas também vai receber um processo de requalificação do seu patrimônio.

BICENTENÁRIO
 
 
Congonhas se tornou mundialmente conhecida por guardar a obra-prima do “mestre do barroco”: os Passos da Paixão de Cristo e os 12 profetas em pedra-sabão. O cenário reconhecido pela Unesco será palco de atrações gratuitas. As artes cênicas terão um momento especial na programação com a estreia do espetáculo Aleijadinho: criador e criatura, de José Félix Junqueira e direção de Kalluh Araújo. A peça é uma livre interpretação de artistas de Congonhas do Grupo de Teatro Dez Pras Oito.

PROGRAMAÇÃO EM CONGONHAS

sábado
» 9h – Abertura da exposição Aleijadinho 200 Anos: Tributo de Bracher, no Museu de Arte Sacra e Mineralogia da Romaria

Dia 8/11
» 11h – Concerto do Coral Cidade dos Profetas, na Basílica do Senhor Bom Jesus de Matosinhos
Dias 13, 14 e 15/11
» 20h30 – Peça teatral Aleijadinho: Criador e Criatura, de José Félix Junqueira, no Cine Teatro Leon. Direção de Kalluh Araújo

Dia 16/11
» 20h30 – Show com Lô Borges, na Estação Ferroviária

Dia 17/11

» 10h – Lançamento da Visita Virtual e Aplicativo de Congonhas no endereço eletrônico www.eravirtual.org

Dia 18/11
» 18h – Ciclo de Palestras sobre Aleijadinho. Convidados: historiador Alex Fernandes Bohrer, artista plástico Carlos Bracher e jornalista Mauro Werkema

» 20h – Lançamento do livro Aleijadinho 200 Anos, organizado por Paulo Lemos e estreia do documentário Nos Passos de Aleijadinho

Dia 23
» 20h – Projeção no Santuário de Bom Jesus de Matosinhos do documentário Nos Passos de Aleijadinho
 
 
 
Fonte:http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2014/10/30/interna_gerais,584919/programacao-que-reverencia-obra-de-aleijadinho-tem-inicio-no-sabado.shtml

 

 

 

 

 

Reinauguração do museu no Boletim da UFMG

Notícia sobre o museu publicada no Boletim da UFMG Nº 1882 - Ano 41 27.10.2014. Informamos que os textos preparados para a exposição foram desenvolvidos tanto pelos curadores quanto pela pesquisadora Raquel França Garcia Augustin e que a foto dos bustos dos profetas está disponível na página do LAFODOC.

 

Sob inspiração de Aleijadinho

Colóquio Luso-brasileiro de História da Arte, na Escola de Arquitetura, vai abordar diversas linguagens da obra de Antônio Francisco Lisboa

Itamar Rigueira Jr.

O arquiteto, escultor e entalhador Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (1730–1814), é a motivação central do 9º Colóquio Luso-brasileiro de História da Arte, que a Escola de Arquitetura vai sediar de 2 a 5 de novembro. Em meio a conferências e debates sobre pesquisas em arte e arquitetura dos séculos 16 a 19, vinculadas a culturas construídas de forma interligada em Brasil e Portugal, Aleijadinho ganhará um dia inteiro dedicado a sua obra.

Quando se completam 200 anos de sua morte, o objetivo é valorizar a importância da obra do artista no contexto do tardo-barroco internacional, por meio de análise crítica das diversas linguagens de sua produção, segundo o coordenador do evento, professor André Dornelles Dangelo. Ele mesmo será responsável por localizar Aleijadinho no cenário da arquitetura do século 18 em Minas Gerais. “Sua obra se vinculou a uma circularidade de modelos e ideias que perpassavam a produção da Europa e, particularmente, de Portugal. Por outro lado, foi marcada também por forte regionalidade”, diz André Dangelo.

 
 Profeta Naum, do conjunto de Congonhas do Campo (1800-1805)
Profeta Isaías, do conjunto de Congonhas (1800-1805)

Especialistas dos dois países vão apresentar pesquisas relacionadas a quatro linhas temáticas: arquitetura e urbanismo, bens artísticos integrados (pintura, talha, imaginária), sociedade e cultura colonial e cidade luso-brasileira colonial. O professor emérito da Escola de Arquitetura Ivo Porto de Menezes, que receberá homenagem especial durante o evento, fará palestra sobre pesquisas realizadas ao longo de sua carreira acerca da evolução da arquitetura em Minas e da ligação com a arquitetura da Europa Central. Segundo ele, a intenção é relacionar características dos frontispícios de igrejas mineiras do século 18 com exemplares da Baviera. “Meu objetivo é mostrar esse trabalho a jovens pesquisadores para que continuem as investigações”, diz Ivo Menezes, que lecionou por quase 30 anos na UFMG e foi professor da Escola de Minas, em Ouro Preto.

Púlpitos e paisagens

Acervo Museu da Inconfidência
Projeto para a Igreja dos Franciscanos, em São João del-Rei (1774)
Projeto para a Igreja dos Franciscanos, em São João del-Rei (1774)

O Colóquio Luso-brasileiro de História da Arte foi realizado pela primeira vez em 1950, teve a série interrompida nas décadas de 70 e 80 e foi reativado em 1990. Depois disso, passou por cidades como Coimbra, Ouro Preto, Évora, Salvador e Porto. A edição deste ano vai reunir cerca de 200 participantes das áreas de arquitetura, belas-artes, história, conservação e restauro, educação patrimonial, museologia e turismo.

A professora Adalgisa Arantes Campos, do Departamento de História da UFMG, vai abordar em sua palestra dois púlpitos de Aleijadinho e seus colaboradores: o da Igreja de São Francisco, em Ouro Preto, é todo em pedra-sabão; o da Igreja do Carmo, em Sabará, tem a base em pedra-sabão e a bacia (ou corpo) em madeira entalhada. “É preciso destacar a história e a importância do púlpito na arte religiosa. Pretendo extrapolar o valor estético, já constatado, e me ater ao valor iconográfico dos conjuntos, ligado ao tema da conversão”, diz Adalgisa.

Professor da Escola de Belas Artes e especialista no patrimônio colonial luso-brasileiro, Marcos Hill vai apresentar no Colóquio um inventário, documentado em fotografias, de paisagens que compõem a decoração das igrejas do período. Segundo ele, as paisagens, que até meados do século 18 apenas compunham cenários, ganharam autonomia e começaram a aparecer em pinturas sobre painéis, sem referências à história ou à religião. “Sabemos sobre isso na Europa, e resolvi aprofundar o estudo desse fenômeno em Minas Gerais”, explica Hill.

Réplicas, mobília e fotos

A edição do Colóquio em Belo Horizonte será marcada pela reinauguração da ala expositiva do Museu da Escola de Arquitetura, que tem como item principal de seu acervo formas e réplicas em gesso do estatuário de Aleijadinho, incluindo os Profetas de Congonhas, além de peças icônicas da história da arte. O museu, fundado em 1966, conta ainda com mobiliários como cadeiras e poltronas desenhadas por arquitetos que passaram pela Escola, material referencial de aprendizado e fotografias que documentam a história da arquitetura em Belo Horizonte e Minas Gerais.

“Essa nova exposição é ­importante para se pensar o papel e os novos caminhos desse acervo. Estamos estudando critérios para institucionalização do museu, o que viabilizará a captação de verbas e melhor aproveitamento de seu potencial para pesquisa, ensino e extensão”, explica a coordenadora do projeto, professora Celina Borges Lemos.

Há diversos registros escritos e imagéticos de atividades de formação do acervo datadas das décadas de 1950 a 1970. Em 2009, foi iniciado um projeto de extensão para revitalizar o acervo, envolvendo inventário, catalogação e difusão.

A revalorização do espaço expositivo da coleção de réplicas de esculturas de Aleijadinho é o resultado mais recente dessa iniciativa. O novo conceito expográfico se manifesta, entre outros aspectos, em novas bases de sustentação para as peças, iluminação e comunicação visual. O projeto adotou, para o ambiente, o amarelo e o cinza, em referência aos tons do ouro e da prata, pertencentes à imaginária barroca.

O processo de revitalização incluiu limpeza das obras, consolidação das bases dos profetas e do tambor do púlpito da Igreja de Nossa Senhora do Carmo de Sabará e a recuperação emergencial da réplica do Medalhão da portada da Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto. Há muitos anos armazenada em condições inadequadas no depósito da escola, a peça estava em péssimo estado de conservação, apresentando trincas, abrasões e sujeira impregnada. O Medalhão foi completamente higienizado e consolidado para ser exibido em novo sistema de sustentação. No futuro serão feitas moldagem e adição da cabeça do São Francisco de Assis, perdida em data desconhecida.


 
Réplicas dos bustos de profetas elaboradas nos ateliês da Escola de Arquitetura e pertencentes ao acervo do Museu
Réplicas dos bustos de profetas elaboradas nos ateliês da Escola de Arquitetura e pertencentes ao acervo do Museu

Legado

As coleções de réplicas começaram a ser formadas no século 16, para estudos e desenvolvimento técnico, documentação e apreciação. A coleção mineira do museu abriga réplicas localizadas em cidades diferentes, possibilitando um olhar mais amplo sobre uma parcela do legado de Aleijadinho.

De acordo com textos preparados pelos curadores da exposição, André Dangelo e Celina Lemos, as peças foram desenvolvidas nas décadas de 1950 e 60 pelo professor Aristocher Benjamim Meschessi, na disciplina de Modelagem. As primeiras réplicas de corpo inteiro dos profetas Jonas, Joel e Amós foram encomendadas para ornamentar os ambientes da Escola. Outras se destinavam a instituições diversas – há registros de que, até 1970, foram feitas 46 reproduções.

Obras em gesso, cimento com pó de pedra e arenito foram produzidas valendo-se de formas dos originais obtidas de gesso e cera. A técnica construtiva dos moldes envolvia duas camadas: a primeira, de argamassa de pó de pedra peneirado e misturado no cimento; a segunda, da massa reforçada por vergalhões de ferro nos sentidos vertical e horizontal. As peças em gesso recebiam reforço em fibra de sisal e sarrafos de madeira.

Nascido em 1907, descendente de italianos, o professor Meschessi graduou-se pela Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro. Ele se aperfeiçoou na reprodução de esculturas e em trabalhos de restauração de obras na Europa, a serviço do Vaticano.

 Fonte: https://www.ufmg.br/boletim/bol1882/4.shtml

 

IX Colóquio Luso-Brasileiro de História da Arte

O IX Colóquio Luso-Brasileiro de História da Arte pretende como objetivo principal, valorizar a importância da obra do arquiteto, escultor e entalhador mineiro Antônio Francisco Lisboa - o Aleijadinho – dentro do cenário do Tardo-Barroco internacional, revisitando criticamente as diversas linguagens da obra do artista, 200 anos após seu falecimento.

O evento pretende ainda o fomento e a manutenção do intercâmbio cultural e acadêmico entre profissionais de história da arquitetura e das artes, de diversas instituições acadêmicas do Brasil e Portugal, assim como o incentivo e a continuidade de importantes pesquisas em história da arte e arquitetura dos séculos XVI a XIX, vinculadas a culturas que se construíram de forma interligadas entre Brasil e Portugal ao longo desses 4 séculos.

O tema do IX Colóquio Luso-Brasileiro na sua versão 2014, possui seu eixo central na homenagem e na revisão crítica da obra de Antônio Francisco Lisboa - o Aleijadinho - 200 anos após seu falecimento. Essa temática será explorada por uma série de conferências ministradas por pesquisadores brasileiros e portugueses e lançamento de uma publicação com textos de pesquisadores vinculados a Comissão Científica do Evento intitulada: o Aleijadinho: a visão crítica 200 anos depois, que irá reunir 10 ensaios sobre textos clássicos produzidos sobre o obra e a figura do Aleijadinho entre 1790 – 1990.

Numa segunda abordagem, será mantido o formato tradicional do evento com conferências de pesquisadores brasileiros e portugueses sobre arquitetura e arte no Brasil e em Portugal entre os séculos XVI-XIX, distribuídas entre os seguintes eixos temáticos:

1 – Arquitetura e Cidades; Mestres de obras e ofícios

2 – Arquitetura e Decoração: escultura monumental; talha; pintura e azulejaria

 3 – Esculturas Devocionais: técnica, estilo e iconografia

 4 – História e Sociedade: Representações sociais no mundo luso-brasileiro

Todas as palestras e conferências terão sessões de perguntas e discussões após as falas.

 

Confira a programação prévia do evento:

 

Dia 03/11/2014 – 2ª. Feira

7:30 a 8:30 - Credenciamento/Café de Boas Vindas !

8:30 a 9:15 - Mesa de Abertura

9:30 a 10:30 - Palestra de Abertura - O Aleijadinho e sua obra: revisões históricas.

Profa. Dra. Myriam Andrade Ribeiro de Oliveira- (UFRJ/IPHAN)

10:30 a 11:00 - Debates

11:00 a 12:00 - Palestra – André Soares. Uma sensibilidade entre o Barroco e o Rococó

Prof. Dr. Eduardo Alberto Pires de Oliveira (Universidade do Minho – Braga)

12:00 a 12:30 - Debates

12:30 a 14:00 - Almoço

14:00 a 15:00  Palestra – Imaginária Barroca Em Contextos Cenográficos Do Noroeste Português.Prof. Dr. José Manoel Alves Tedim   (Universidade Portucalense – Porto)

15:10 a 16:10 - Palestra – Sobre as paisagens e o prazer dos sentidos: aproximação do gênero da paisagem presente em pinturas religiosas das Minas coloniais. Prof. Dr. Marcos Cesar Senna Hill (EBA/UFMG)

16:10 a 16:40 - Debates

16:40 a 17:15 - Coffe- Break

17:15 a 18: 15 - Palestra – Cultura arquitetônica e produção da arquitetura no Setecentos Mineiro: o mineiro Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, e os mestres portugueses. Profa. Dra. Selma Melo Miranda   (PUC/Minas)

18:15 a 18: 45 - Debates

19:00 - Reinauguração do Museu Aleijadinho da Escola de Arquitetura da UFMG e Lançamentos de Livros sobre o Aleijadinho (Prof. Dr. André Guilherme Dornelles D’Angelo / Ivo Porto de Meneses/ Marcos Paulo de Souza Miranda

 

Dia 04/11/2014 – 3ª. Feira

8:30 a 9:30 - Palestra – Análise histórica e iconográfica do conjunto de púlpitos de Antônio Francisco Lisboa em Ouro Preto e Sabará

Profa. Dra. Adalgisa Arantes Campos (FAFICH/UFMG)

9:30 a 10:00 - Debates

10:00 a 10:30 - Coffe- Break

10:30 a 11:30 - Palestra –Aleijadinho 2- Ivo Porto de Meneses

11 30 a 12:00 - Debates

12:00 a 14:00 - Almoço

14:00 a 15:00  Palestra – BARDI E ALEIJADINHO: para a salvaguarda dos Profetas de Congonhas.Prof. Dr. Marcos Tognon

15:10 a 16:20 - Palestra – O Aleijadinho revelado

Dr.Marcos Paulo de Souza Miranda

16:20 a 16:50 - Debates

16:50 a 17:20 - Coffe- Break

17:20 a 18: 20 - Palestra – O Aleijadinho arquiteto e as prováveis fontes de circulação cultural na sua obra

Prof. Dr. André Guilherme Dornelles D’Angelo (EA/UFMG/NPGAU)

18:20 a 19:45 - Debates

19:00 - Seção de Homenagem ao Prof. Ivo Porto de Meneses – Horadora: Prof.Dra. Celina Borges Lemos

 

Dia 05/11/2014 – 4ª. Feira

8:30 a 9:30 - Palestra – Os temas da paciência e da lamentação na Capela de Nossa Senhora do Monte do Carmo de Vila Rica.

Prof.Ms. Renato Cesar Jose de Souza

9:30 a 10:00 - Debates

10:00 a 10:30 - Coffe- Break

10:30 a 11:30 - Palestra – A Arquitetura Religiosa e o Drama Barroco de Ouro Preto

Prof. Dr. Rodrigo Espinha Baeta (UFBA)

11:30 a 12:00 - Debates

12:00 a 14:00 - Almoço

14:00 a 15:00 - Palestra –

Prof. Dr. João Antônio de Paula

15: 10 a 16:20 - Palestra – Antônio Francisco Lisboa: moldagens de gesso como instrumentos de proteção e difusão de sua obra

Prof. Dr. Alexandre Ferreira Mascarenhas -CSTR-IFMG

16:20 a 16:50 - Debates

16:50 a 17:20 - Coffe- Break

17:20 a 18:20 - Mesa de Enceramento do Colóquio (Profa. Dra. Myriam Andrade Ribeiro de Oliveira/ Prof. Dr. André Guilherme Dornelles D’Angelo / Prof. Dr. José Manoel Alves Tedim / Prof. Dr. Frederico de Paula Tofani/ Profa. Dra. Denise Morado Nascimento

20:00 - Confraternização de Adesão no Restaurante Via Cristina- Bairro Santo Antônio

 

Confira mais aqui

 

Ministério público move ações para devolver peças de Aleijadinho para Minas Gerais

Folha de São Paulo

13/10/2014

Leia a notícia aqui

 

Portaria interinstitucional cria comissão especial para a obra de Aleijadinho

Defender - Defesa Civil do Patrimônio Histórico


19/08/2014

 

Publicada no dia 18, no Diário Oficial da União, a Portaria Interinstitucional nº 1, de 14 de agosto de 2014, na qual o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), instituições vinculadas ao Ministério da Cultura (MinC), criam uma Comissão Especial de Assessoramento sobre a obra de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (1738-1814). [...]

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