﻿{"id":110708,"date":"2016-05-06T13:43:29","date_gmt":"2016-05-06T16:43:29","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.arq.ufmg.br\/ea\/?p=110708"},"modified":"2016-05-06T14:03:42","modified_gmt":"2016-05-06T17:03:42","slug":"transformacao-da-paisagem-urbana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.arq.ufmg.br\/ea\/transformacao-da-paisagem-urbana\/","title":{"rendered":"Transforma\u00e7\u00e3o da Paisagem Urbana"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"page-title\">Transforma\u00e7\u00e3o da Paisagem Urbana<\/h1>\n<p>&nbsp;<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.arq.ufmg.br\/ea\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/laboratorio-da-paisagem-thumb-1-228-x-160.jpg\" alt=\"laboratorio da paisagem-thumb (1) 228 x 160\" width=\"228\" height=\"160\" class=\"alignleft size-full wp-image-110720\" srcset=\"https:\/\/www.arq.ufmg.br\/ea\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/laboratorio-da-paisagem-thumb-1-228-x-160.jpg 228w, https:\/\/www.arq.ufmg.br\/ea\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/laboratorio-da-paisagem-thumb-1-228-x-160-214x150.jpg 214w, https:\/\/www.arq.ufmg.br\/ea\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/laboratorio-da-paisagem-thumb-1-228-x-160-150x105.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 228px) 100vw, 228px\" \/>N\u00e3o \u00e9 sempre que uma obra que tem a finalidade prec\u00edpua de ser did\u00e1tica consegue, ainda que por vias tortas, contar hist\u00f3rias interessantes de caminhos de vida e de produ\u00e7\u00e3o intelectual. Um ge\u00f3grafo alem\u00e3o radicado na Inglaterra e um arquiteto italiano, ambos perseguidos por regimes totalit\u00e1rios pr\u00e9-Segunda Guerra, s\u00e3o personagens centrais do livro Fundamentos de morfologia urbana (editora C\/Arte), da professora Sta\u00ebl Alvarenga e da pesquisadora Manoela Netto, ambas vinculadas ao Laborat\u00f3rio da Paisagem da Escola de Arquitetura.<\/p>\n<p>De forma in\u00e9dita no Brasil, a obra esmi\u00fa\u00e7a as ideias de M.R.G. Conzen e Saverio Muratori, que elaboraram as metodologias mais completas e aceitas para a compreens\u00e3o de uma cidade. &#8220;A morfologia urbana oferece abordagem que junta forma, fun\u00e7\u00e3o e desenvolvimento do tecido urbano&#8221;, afirma Sta\u00ebl Alvarenga, que \u00e9 doutora pela USP. O objetivo \u00e9 entender o processo de forma\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o de uma paisagem urbana, mirando as formas concretas e levando em conta fatores sociais, culturais e ambientais.<\/p>\n<p>Conceitos e instrumentos descritos em texto publicado por Conzen, em 2004, foram aplicados e interpretados em Ouro Preto (MG), por pesquisadores do Laborat\u00f3rio da Paisagem. O m\u00e9todo relaciona per\u00edodos hist\u00f3ricos \u00e0s inova\u00e7\u00f5es nas cidades.<\/p>\n<p>&#8220;A escolha da antiga Vila Rica se deveu \u00e0 abund\u00e2ncia de mapas e dados cadastrais desde o s\u00e9culo 18, que foram sobrepostos a bases digitais atualizadas, e \u00e0 equival\u00eancia de dimens\u00f5es com a cidade de Alnwick, na Inglaterra, estudada de forma consistente pelo ge\u00f3grafo alem\u00e3o&#8221;, comenta Manoela Netto, que cursou gradua\u00e7\u00e3o e mestrado na Escola de Arquitetura. Ela acrescenta que foi poss\u00edvel perceber distor\u00e7\u00f5es \u2013 de propor\u00e7\u00e3o e localiza\u00e7\u00e3o, por exemplo \u2013 nos documentos antigos, o que exigiu ajustes com base em dados georreferenciados.<\/p>\n<p>Sete per\u00edodos<br \/>\nA an\u00e1lise de Ouro Preto reproduzida no livro considera sete per\u00edodos morfol\u00f3gicos, que v\u00e3o desde o tempo da descoberta do ouro (1698-1710), quando havia oito arraiais, at\u00e9 o p\u00f3s-tombamento pela Unesco (de 1980 aos dias atuais). Nesse intervalo, Sta\u00ebl Alvarenga e Manoela Netto definiram as seguintes fases: Cria\u00e7\u00e3o da Vila Rica (1711-1740), marcada por n\u00facleos ocupados por portugueses e paulistas; Consolida\u00e7\u00e3o da Vila Rica (1741-1824), em que os dois povoados se unem; A cidade de Ouro Preto (1825-1896), \u00e9poca de investimentos em infraestrutura urbana de acordo com a ideologia imperialista; Estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica (1897-1937), ap\u00f3s a mudan\u00e7a da capital para Belo Horizonte, fase marcada pela perman\u00eancia das formas; Tombamento e expans\u00e3o urbana, quando o ent\u00e3o rec\u00e9m-criado Iphan declara a cidade patrim\u00f4nio nacional. &#8220;Nessa etapa, florescem atividades econ\u00f4micas e surge a Universidade Federal de Ouro Preto&#8221;, afirma Manoela Netto.<\/p>\n<p>No \u00faltimo per\u00edodo, iniciado com a decis\u00e3o da Unesco, o incremento do turismo coincide com o surgimento de ocupa\u00e7\u00f5es espont\u00e2neas em encostas e outros fen\u00f4menos que afetam o car\u00e1ter de patrim\u00f4nio hist\u00f3rico da cidade. As pesquisadoras ressaltam que a clara percep\u00e7\u00e3o das transforma\u00e7\u00f5es espaciais ao longo do tempo possibilita intervir de maneira mais consciente com determinados objetivos como o da preserva\u00e7\u00e3o ambiental e cultural.<\/p>\n<p>Rota matriz<br \/>\nO m\u00e9todo de Saverio Muratori, divulgado em publica\u00e7\u00f5es de seus disc\u00edpulos, uma vez que o professor se limitava a expor suas ideias em aulas e confer\u00eancias, tamb\u00e9m foi aplicado em Ouro Preto. Os elementos-chave da metodologia s\u00e3o as casas (tipo b\u00e1sico), as ruas (s\u00e9ries tipol\u00f3gicas), os quarteir\u00f5es (tecido urbano) e o territ\u00f3rio (organismo urbano).<\/p>\n<p>&#8220;A forma\u00e7\u00e3o da cidade \u00e9 explicada sobre a no\u00e7\u00e3o de eixos que v\u00e3o se unindo. O caminho-tronco ou rota matriz \u2013 que no caso de Ouro Preto \u00e9 o trecho da Estrada Real \u2013 forma os quarteir\u00f5es com uma rota paralela chamada conex\u00e3o&#8221;, explica Manoela Netto. Ela lembra que Muratori era fil\u00f3sofo e privilegiava a preserva\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria, um dos motivos pelos quais incomodava o regime fascista. O italiano, que lecionou na Universidade de Roma, investigou por quase duas d\u00e9cadas a evolu\u00e7\u00e3o de Veneza e de Roma.<\/p>\n<p>Se Conzen e Muratori divergem nos m\u00e9todos, eles t\u00eam objetivos muito pr\u00f3ximos, que se caracterizam, de acordo com as autoras de Fundamentos de morfologia urbana, pela relev\u00e2ncia de se compreender a rela\u00e7\u00e3o entre transforma\u00e7\u00e3o e perman\u00eancia. &#8220;A escola inglesa da morfologia urbana, fundada por Conzen, e a escola italiana, que se construiu sobre as ideias de Muratori, comp\u00f5em exemplo t\u00edpico da sincronicidade de necessidades criadas por um tempo de crise e que levam \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o de teorias convergentes na sua ess\u00eancia&#8221;, afirma Sta\u00ebl Alvarenga.<\/p>\n<h4>Livro: Fundamentos de morfologia urbana<br \/>\nAutoras: Sta\u00ebl de Alvarenga Pereira Costa e Maria Manoela Gimmler Netto<br \/>\nEditora: C\/Arte<br \/>\nApoio: Fapemig<br \/>\n234 p\u00e1ginas \/ R$ 59 (pre\u00e7o de capa)<\/p>\n<p>(Itamar Rigueira Jr\/Boletim 1938)<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Transforma\u00e7\u00e3o da Paisagem Urbana &nbsp; N\u00e3o \u00e9 sempre que uma obra que tem a finalidade prec\u00edpua de ser did\u00e1tica consegue, ainda que por vias tortas, contar hist\u00f3rias interessantes de caminhos de vida e de produ\u00e7\u00e3o intelectual. Um ge\u00f3grafo alem\u00e3o radicado\u2026<\/p>\n<p> <a class=\"continue-reading-link\" href=\"https:\/\/www.arq.ufmg.br\/ea\/transformacao-da-paisagem-urbana\/\"><span><\/span><i class=\"crycon-right-dir\"><\/i><\/a> <\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[31],"tags":[],"class_list":["post-110708","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ea"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.arq.ufmg.br\/ea\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/110708","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.arq.ufmg.br\/ea\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.arq.ufmg.br\/ea\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.arq.ufmg.br\/ea\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.arq.ufmg.br\/ea\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=110708"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.arq.ufmg.br\/ea\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/110708\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":110721,"href":"https:\/\/www.arq.ufmg.br\/ea\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/110708\/revisions\/110721"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.arq.ufmg.br\/ea\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=110708"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.arq.ufmg.br\/ea\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=110708"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.arq.ufmg.br\/ea\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=110708"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}