﻿{"id":145971,"date":"2016-07-04T19:44:52","date_gmt":"2016-07-04T22:44:52","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.arq.ufmg.br\/ea\/?p=145971"},"modified":"2016-07-04T19:53:26","modified_gmt":"2016-07-04T22:53:26","slug":"tese-sobre-habitacoes-populares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.arq.ufmg.br\/ea\/tese-sobre-habitacoes-populares\/","title":{"rendered":"Tese sobre habita\u00e7\u00f5es populares"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"page-title\">Nas bordas da cidade <\/h1>\n<p><font size=\"4\">A tese premiada, do Prof. Andr\u00e9 Luiz Prado, encontra \u2018conflu\u00eancia de problemas\u2019 nas chamadas habita\u00e7\u00f5es de interesse social na periferia de BH<\/font><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<div id=\"attachment_145972\" style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.ufmg.br\/boletim\/bol1947\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-145972\" src=\"https:\/\/sites.arq.ufmg.br\/ea\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Tese-Prado-Conjunto.jpg\" alt=\"Conjunto Granja de Freitas II, na Zona Leste, quase na divisa com Sabar\u00e1\" width=\"500\" height=\"375\" class=\"size-full wp-image-145972\" srcset=\"https:\/\/www.arq.ufmg.br\/ea\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Tese-Prado-Conjunto.jpg 500w, https:\/\/www.arq.ufmg.br\/ea\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Tese-Prado-Conjunto-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.arq.ufmg.br\/ea\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Tese-Prado-Conjunto-200x150.jpg 200w, https:\/\/www.arq.ufmg.br\/ea\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Tese-Prado-Conjunto-150x113.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-145972\" class=\"wp-caption-text\">Conjunto Granja de Freitas II, na Zona Leste, quase na divisa com Sabar\u00e1<\/p><\/div><\/p>\n<p>Itamar Rigueira Jr.<\/p>\n<p>Onde fica o fim da cidade? Nas bordas, pr\u00f3ximo aos limites com os munic\u00edpios vizinhos. L\u00e1 onde &#8220;a cidade acaba&#8221;, como dizem os moradores da periferia. \u00c9 tamb\u00e9m o &#8220;fim da linha&#8221;, o ponto final do \u00f4nibus que vem do Centro. E mais que isso: \u00e9 lugar de produ\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho, aonde as pessoas chegam \u00e0 noite para desabar de cansa\u00e7o e sair pouco depois, muitas vezes antes de amanhecer. Enfim, \u00e9 onde a cidade n\u00e3o cumpre sua finalidade de propiciar conviv\u00eancia. Onde ela n\u00e3o \u00e9 lugar de destinos compartilhados, da experi\u00eancia pol\u00edtica e civilizat\u00f3ria da polis grega e da urbe romana, na vis\u00e3o do professor Andr\u00e9 Luiz Prado, da Escola de Arquitetura.<\/p>\n<p>A express\u00e3o &#8220;fim da cidade&#8221; est\u00e1 no t\u00edtulo do trabalho de doutorado de Prado, que mereceu men\u00e7\u00e3o honrosa no Grande Pr\u00eamio UFMG de Teses de 2015, entregue recentemente, e que j\u00e1 havia recebido reconhecimento similar da Capes. Andr\u00e9 Luiz Prado mergulhou na realidade dos conjuntos habitacionais localizados nos limites de Belo Horizonte. Uma de suas motiva\u00e7\u00f5es foi o Programa Minha Casa Minha Vida, que reeditou forte movimento de constru\u00e7\u00e3o de habita\u00e7\u00f5es de interesse social nos anos 1960 e 70.<\/p>\n<p>&#8220;Investiguei conjuntos privados e p\u00fablicos, antigos e recentes. Hoje \u00e9 pior, porque tudo est\u00e1 na m\u00e3o da iniciativa privada. H\u00e1 40 anos, havia maior controle dos governos locais. Em comum, esses conjuntos est\u00e3o localizados em \u00e1reas menos densas, com infraestrutura urbana rarefeita, prec\u00e1ria&#8221;, afirma Andr\u00e9 Prado.<\/p>\n<p>O pesquisador destaca que os pr\u00e9dios t\u00eam a popula\u00e7\u00e3o de pequenas cidades, e sua degrada\u00e7\u00e3o parece inexor\u00e1vel alguns anos depois de prontos e ocupados. &#8220;O cen\u00e1rio \u00e9 de deteriora\u00e7\u00e3o socioambiental \u2013 o oposto do que foi planejado. S\u00e3o guetos, que apresentam conflu\u00eancia de problemas como viol\u00eancia e polui\u00e7\u00e3o. E os problemas n\u00e3o s\u00e3o circunstanciais, que dependem de localiza\u00e7\u00e3o ou idade dos pr\u00e9dios. S\u00e3o estruturais&#8221;, enfatiza.<\/p>\n<h4>Injusti\u00e7a socioespacial<\/h4>\n<p>A abordagem te\u00f3rica de Andr\u00e9 Luiz Prado \u00e9 apoiada em tr\u00eas eixos. Os conceitos da Escola de Frankfurt ajudaram a pensar a produ\u00e7\u00e3o habitacional com base em uma vis\u00e3o cr\u00edtica da sociedade e do capitalismo. Outra ideia fundamental \u00e9 a de injusti\u00e7a socioespacial, discutida por autores como Edward Soja e Henry Lefebvre, segundo a qual est\u00e3o reservadas aos pobres as piores condi\u00e7\u00f5es de infraestrutura urbana. O \u00faltimo eixo est\u00e1 no que o autor denomina de &#8220;efeitos m\u00fatuos&#8221;. De acordo com Prado, h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica entre popula\u00e7\u00e3o e ambiente. &#8220;Como geralmente os conjuntos est\u00e3o pr\u00f3ximos de \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o e \u00e1reas n\u00e3o urbanizadas em geral, h\u00e1 efeitos negativos rec\u00edprocos, como a\u00e7\u00e3o de ladr\u00f5es seguida de fuga para a mata e inc\u00eandios na vegeta\u00e7\u00e3o que geram males respirat\u00f3rios para os moradores.&#8221;<\/p>\n<p>A pesquisa de campo durou um ano e levou o pesquisador a nove conjuntos habitacionais de Belo Horizonte: ao sul, na regi\u00e3o do Barreiro, na borda leste (sa\u00edda para Sabar\u00e1), nos limites com Santa Luzia e Ribeir\u00e3o das Neves, ao norte, e na regi\u00e3o do Eldorado, pr\u00f3ximo \u00e0 sa\u00edda para Contagem. Com a ajuda de agentes comunit\u00e1rios municipais e da Arquidiocese de Belo Horizonte, Andr\u00e9 Prado organizou assembleias, conversou com membros de associa\u00e7\u00f5es de moradores e l\u00edderes informais. Os conjuntos pesquisados t\u00eam, em sua maioria, entre dois e tr\u00eas mil moradores.<\/p>\n<p>&#8220;Fiz uma triangula\u00e7\u00e3o reunindo dados da prefeitura, que s\u00e3o fartos, as entrevistas e minhas visitas t\u00e9cnicas. Estava mais interessado nas contradi\u00e7\u00f5es que nas informa\u00e7\u00f5es convergentes&#8221;, explica o pesquisador, acrescentando que, sobre a quest\u00e3o da viol\u00eancia, a percep\u00e7\u00e3o dos moradores era sempre mais reveladora. &#8220;Mais que estat\u00edsticas, eu queria conhecer o risco de viol\u00eancia e o impacto disso na vida das pessoas.&#8221;<\/p>\n<h4>La\u00e7os sociais quebrados<\/h4>\n<p>Andr\u00e9 Luiz Prado comenta que o modelo de constru\u00e7\u00e3o de grandes conjuntos verticais nas bordas urbanas interessa aos agentes financeiros \u2013 a terra \u00e9 mais barata, e \u00e9 poss\u00edvel construir grande n\u00famero de unidades \u2013 e \u00e0s construtoras, que otimizam processos construtivos. No entanto, \u00e9 ruim para a cidade e para as pessoas. &#8220;Programas como o Minha Casa Minha Vida est\u00e3o associados \u00e0 ideia de habita\u00e7\u00e3o social, mas t\u00eam beneficiado mais as classes m\u00e9dias. Eles cumprem o papel de aquecer a economia, mas levam fam\u00edlias para longe de suas origens, quebrando la\u00e7os sociais&#8221;, afirma o autor, que ter\u00e1 a tese publicada pela Editora UFMG.<\/p>\n<p>Mais adequado, segundo Prado, seria um esfor\u00e7o de reassentar nas pr\u00f3prias vilas, reocupar \u00e1reas centrais ociosas e at\u00e9 promover mistura do interesse social com o ambiental, povoando com modera\u00e7\u00e3o \u00e1reas de natureza sob risco de degrada\u00e7\u00e3o. &#8220;Mas isso tem que ser induzido pelo Estado, porque a iniciativa privada tende a construir com foco no mercado imobili\u00e1rio&#8221;, alerta o pesquisador. Ele ressalta ainda que os conjuntos habitacionais perif\u00e9ricos refor\u00e7am a tend\u00eancia de valoriza\u00e7\u00e3o da dimens\u00e3o privada, em detrimento do coletivo. &#8220;O aluguel social \u00e9 solu\u00e7\u00e3o melhor que a concess\u00e3o de propriedade&#8221;, conclui.<\/p>\n<h3>Tese: Ao fim da cidade: conjuntos habitacionais nas bordas urbanas<br \/>\nAutor: Andr\u00e9 Luiz Prado<br \/>\nOrientadora: Silke Kapp<br \/>\nPrograma de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Arquitetura e Urbanismo<\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nas bordas da cidade A tese premiada, do Prof. Andr\u00e9 Luiz Prado, encontra \u2018conflu\u00eancia de problemas\u2019 nas chamadas habita\u00e7\u00f5es de interesse social na periferia de BH &nbsp; Itamar Rigueira Jr. Onde fica o fim da cidade? 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